A Vítima - Racionais MC's

A Vítima - Racionais MC's

  • Anno di rilascio: 2015
  • Lingua: portoghese
  • Durata: 7:20

Di seguito il testo della canzone A Vítima , artista - Racionais MC's con traduzione

Testo " A Vítima "

Testo originale con traduzione

A Vítima

Racionais MC's

Testo originale

Smurf: Então, Cocão, aí, não leva a mal não, mas aí vai fazer um tempo que eu

tô querendo fazer essa… essa pergunta pra você.

Aí…

Edi: Fala aí

Smurf: Tem como você falar daquele acidente lá?

Eu sei que é meio chato,

embaçado…

Edi: Não, é nada… Cê quer saber, a gente fala, né mano.

Vamos lá…

Foi dia, ó, eu lembro que nem hoje, ó, vixe!, até arrepia… dia 14 de outubro

de 94. Eu tava morando no Leblon, tá ligado?

Aí eu tinha um Opala, pá.

Aí o Opala tava na oficina do Di lá.

A gente ia fazer um barato à noite,

tá ligado?

A gente ia se trombar em Pinheiros, não sei se você se lembra disso

Smurf: Pode crer

Edi: Porque você… você ia com o Kleber direto pra Pinheiros.

Você ia direto e

nós… tava eu, o Brown, o Blue, ia pra

Zona Sul…

Naquela noite eu acordei e não sabia onde estava

Pensei que era sonho, o pesadelo apenas começava

Aquela gente vestida de branco

Parecia com o céu, mas o céu é lugar de santo

Os caras me perguntando: «E aí, mano, cê tá legal?»

Cheiro de éter no ar nunca é bom sinal

Dor de cabeça, tontura

Aquela sala rodava estilo brisa de droga, loucura

Sangue na roupa rasgada

Fio de sutura me costura

Porra, gente não vale nada

Do que adianta você ter o que quer

Sucesso, dinheiro, mulher beijando o seu pé

E num piscar de olhos é foda

Você é furado igual peneira ou sem valor numa cadeira de roda

(- O que que eu tô fazendo aqui?

— Não quero admitir

— Agora é tarde, tarde, tarde

— Lamento…)

Meus parceiros me contaram

Cena após cena, passo a passo o que presenciaram

Mano, foi um arregaço na Marginal

Você capotou, teve até uma vítima fatal

Da Zona Sul e tal, sentido ao centro

Uma da manhã, lembrei daquele momento

Vários Opala, mó carreata

E eu logo atrás da primeira barca diplomata

Tô dirigindo ali no volante

Opala cinza escuro, Tupac no alto-falante

Por um instante tive um mal pressentimento

Mas não liguei, não dei conta, não tava atento

(Cadê o Coco? Mano, pega o celular, que embaçou, mano! Fé no Senhor!

O barato foi loco, mano!)

(Meu Deus do céu! Chama a ambulância, caralho! Cadê a ambulância?!)

Que merda, um cara novo morreu

Fatalidade é uma imprudência, divergência, fudeu

Ele deixou uma mulher que esperava um filho

Um evangélico que nem conheceu o filho

Um suspiro, perdi a calma

Vi uma faca atravessando a minha alma

Olhei no espelho e vi um homem chorar

A mídia, a justiça, querendo me fuzilar

Virei notícia, primeira página

Um paparazzi focalizou a minha lágrima

Um repórter da Globo me insultou

Me chamava de assassino, aquilo inflamou

Tumultuou, nunca vi tanto carniceiro

Me crucificaram, me julgaram no país inteiro

Pena de morte, se tiver sorte

Cadeira elétrica se fosse América do Norte

Opinião pública influenciada

Era o réu sem direito a mais nada

Meu mundo tinha desabado

Na lei de Deus, fui julgado;

na lei do homem, condenado

Edi: Então, Kleber, o cara morreu, mano!

Smurf: É, então, agora é daqui pra frente, Cocão.

Não tem mais jeito, tá ligado,

não se abala não.

Tem que ficar firme.

Nóis tá junto aí!

Dois anos e poucos de audiência

Pra mim já era o início da minha penitência

Aquele prédio no Fórum é mó tortura

Ali na frente sempre para várias viatura

O movimento é intenso o tempo inteiro

Parece o trânsito, tráfego, um formigueiro

Advogado pra cima, pra baixo

Ganhando dinheiro com mais um réu, eu acho

Registrei um cara algemado num canto

De cabeça baixa, me parecia um cara branco

Esperando a vez de ser solicitado

Julgado, talvez até se pá libertado

Escoltado, vários gambé

Esse aí não deve ser um preso qualquer

Com a mão pra trás olhando pra parede

Fui beber água, me deu mó sede

Uma ligação com urgência

Meu advogado, com o resultado da sentença

O celular tava falhando

(Alô? Não dá pra escutar, mas eu tô indo pra aí, falou?! Tô chegando)

É irmão, fui de metrô

Aquele frio na espinha que eu tinha, então voltou

A cada estação ele aumentava

Eu não sabia se descia ou se eu continuava

À procura de uma distração

Olhava o vagão lotado, a movimentação

Aquele povo indo pra algum lugar

Trabalhar, estudar, passear, roubar, sei lá

Vi uma mina bonita, discreta

Pinta de modelo, corpo de atleta

Eu vi um cara lendo concentrado

Naipe de estudante, daqueles filho dedicado

Vi uma tia crente em pé cansada

De cor escura com a pele enrugada

Ela me fez lembrar

Parece a mãe da vítima, como será que ela deve tá?

Cheguei no prédio da Ipiranga com a São João

Respirei fundo, subi a manga do meu camisão

Decisão, eu tô trêmulo

Mó responsa, não, não entendo

Muita calma sempre é preciso

«Proibido fumar», li o aviso

Um porteiro tiozinho lembra meu pai

(Que andar? Qual andar que você vai?)

Han, no décimo, me sinto péssimo

A balança fez questão de mais um acréscimo

Elevador quebrado

Tem dia que é melhor não acordar que dá tudo errado

Fui pela escada contando cada degrau

Cada passada chegava o juízo final

Tive a sensação de alguém me olhando

Parecia me seguir, tava ali me gorando

Senti um calafrio

Recordei daquela cena que você não viu

Do capote, de um grito forte, dos holofote

Um vacilo seu já era, resulta em morte

Daquela Kombi velha partida ao meio

Daquela hora que eu tentei pisar no freio

Andar por andar, onde eu tô não importa

Lembra da vítima?

Cheguei na porta

Edi: Então, Smurf, é isso aí, mano.

Deu pra você entender?

Smurf: É embaçado, hein Cocão?!

Que fita, hein?!

Edi: Então… É o seguinte, aí passou, acho que uns três anos, tá ligado?

Três, quatro anos de corre pra lá e pra cá, tentando se acertar com a justiça,

tá ligado?

Pagando o que eu devia, graças a Deus.

Aí ó, hoje eu tô firmão,

não devo mais nada pra ninguém.

Me acertei com Deus e principalmente com a

família lá, tá ligado?

Com a justiça também.

E é o seguinte, né…

a vida tem que continuar, tá ligado?

Porque não pode…

Traduzione del brano

Puffo: Allora, Cocão, non prenderla sul serio, ma poi passerà un po' che io

Voglio fare questa... questa domanda per te.

Là…

Ed: Parla

Puffo: C'è un modo in cui potresti parlare di quell'incidente lì?

So che è un po' noioso,

sfocato…

Edi: No, non è niente... Vuoi sapere, parliamo, giusto fratello.

Avanti…

Era un giorno, oh, mi ricordo che nemmeno oggi, oh, dai!, trema anche... 14 ottobre

di 94. Vivevo a Leblon, sai?

Poi ho avuto un Opal, amico.

Poi Opala era al laboratorio di Di lì.

Stavamo per fare uno sballo di notte,

ci sei?

Stavamo per imbatterci in pini, non so se te lo ricordi

Puffo: Ci credi?

Edi: Perché tu... sei andato con Kleber direttamente a Pinheiros.

Andresti dritto e

noi... ero io, o Brown, o Blue, stavo andando

Zona Sud...

Quella notte mi sono svegliato e non sapevo dove fossi

Pensavo fosse un sogno, l'incubo era appena iniziato

Quelle persone vestite di bianco

Sembrava il paradiso, ma il paradiso è un luogo santo

I ragazzi mi chiedono: «Ehi, fratello, stai bene?»

L'odore di etere nell'aria non è mai un buon segno

Mal di testa, vertigini

Quella stanza ruotava come una brezza di droga, follia

Sangue sui vestiti strappati

Filo per sutura che cucino

Accidenti, le persone sono inutili

A che serve avere quello che vuoi

Successo, soldi, donna che ti bacia il piede

E in un batter d'occhio è un cazzo

Sei trafitto come un setaccio o inutile su una sedia a rotelle

(- Cosa sto facendo qui?

— Non voglio ammetterlo

— Ora è tardi, tardi, tardi

- Scusami…)

Me l'hanno detto i miei compagni

Scena dopo scena, passo dopo passo a cosa hanno assistito

Fratello, è stato un roll-up sul Marginal

Ti sei capovolto, hai anche avuto una fatalità

Dalla zona sud e simili, verso il centro

L'una del mattino, mi sono ricordato di quel momento

Varie Opal, ruota del mulino

E io proprio dietro la prima nave diplomatica

Sto guidando lì sul volante

Opale grigio scuro, Tupac sull'altoparlante

Per un momento ho avuto una brutta sensazione

Ma non ho chiamato, non me ne sono accorto, non ne ero a conoscenza

(Dov'è Coco? Fratello, prendi il cellulare, si è appannato, fratello! Fede nel Signore!

L'economico era pazzesco, fratello!)

(Oh mio Dio! Chiama l'ambulanza, maledizione! Dov'è l'ambulanza?!)

Che cazzo, è morto un nuovo ragazzo

La fatalità è incoscienza, divergenza, cazzo

Ha lasciato una donna che aspettava un bambino

Un evangelico che non conosceva nemmeno suo figlio

Un sospiro, ho perso la calma

Ho visto un coltello attraversarmi l'anima

Mi sono guardato allo specchio e ho visto un uomo piangere

I media, la giustizia, vogliono spararmi

Sono diventato notiziario, prima pagina

Un paparazzo concentrato sulla mia lacrima

Un reporter di Globo mi ha insultato

Mi ha chiamato un assassino, che ha acceso

È stata una rivolta, non ho mai visto così tanti macellai

Mi hanno crocifisso, mi hanno giudicato in tutto il paese

Pena di morte, se sei fortunato

Sedia elettrica se fosse il Nord America

Opinione pubblica influenzata

Era l'imputato senza diritto a più

il mio mondo era crollato

Nella legge di Dio sono stato giudicato;

nella legge dell'uomo, condannato

Edi: Allora, Kleber, il ragazzo è morto, fratello!

Puffo: Sì, quindi ora è d'ora in poi, Cocão.

Non c'è altro modo, è acceso,

non essere scosso.

Devo stare fermo.

Siamo insieme lì!

Due anni e qualche anno di pubblico

Per me era già l'inizio della mia penitenza

Quell'edificio nel Forum è una tortura

Là davanti sempre per diversi veicoli

Il movimento è sempre intenso

Sembra traffico, traffico, un formicaio

Avvocato su, giù

Fare soldi con un altro imputato, credo

Ho registrato un ragazzo ammanettato in un angolo

A testa bassa, sembrava un bianco

In attesa del turno da richiedere

Giudicato, forse anche liberato

Escort, diverse gambé

Questo non dovrebbe essere un prigioniero qualsiasi

Con la mano dietro di te a guardare il muro

Sono andato a bere acqua, mi ha fatto venire sete

Una chiamata urgente

Il mio avvocato, con l'esito della sentenza

Il cellulare non funzionava

(Ciao? Non riesco a sentirlo, ma ci vado, diciamo?! Sto arrivando)

È fratello, ho preso la metropolitana

Quel freddo alla spina dorsale che ho avuto, poi è tornato

Ogni stagione aumentava

Non sapevo se sarei caduto o se avrei continuato

Alla ricerca di una distrazione

Ho guardato il carro affollato, il movimento

Quelle persone che vanno da qualche parte

Lavora, studia, cammina, ruba, non lo so

Ho visto una miniera bella e discreta

 vernice modello, corpo dell'atleta

Ho visto un ragazzo che legge concentrato

 abito da studente, di quei figli devoti

Ho visto una zia credente in piedi stanca

Colore scuro con pelle rugosa

Me l'ha ricordato

Sembra la madre della vittima, come dovrebbe essere?

Sono arrivato all'edificio Ipiranga con São João

Ho preso un respiro profondo, mi sono arrotolato la manica della maglietta

Decisione, sto tremando

Macina reattiva, no, non capisco

Serve sempre molta calma

«Non fumare», lezione di avviso

Uno zio custode mi ricorda mio padre

(A quale piano? A quale piano vai?)

Han, il decimo, mi sento malissimo

La scala ha insistito su un'altra aggiunta

ascensore rotto

Ci sono giorni in cui è meglio non svegliarsi che tutto va storto

Salii le scale contando ogni gradino

Ogni passo ha raggiunto il giorno del giudizio

Ho avuto la sensazione di qualcuno che mi guardava

Sembrava seguirmi, era lì che si ammalava

Ho sentito un brivido

Mi sono ricordata di quella scena che non hai visto

Dal mantello, da un grido forte, dai riflettori

Un tuo errore è finito, porta alla morte

Da quel vecchio furgone diviso a metà

Da quel momento ho provato a premere i freni

Piano dopo piano, dove sono non importa

Ricordi la vittima?

Sono arrivato alla porta

Edi: Allora, Puffo, è tutto, fratello.

Hai capito?

Puffo: È sfocato, eh Cocão?!

Che nastro, eh?!

Edi: Quindi... È il seguente, poi è passato, penso a tre anni, sai?

Tre, quattro anni di correre avanti e indietro, cercando di accontentarsi della giustizia,

ci sei?

Pagando quello che dovevo, grazie a Dio.

Ecco, oggi sono fermo,

Non devo nient'altro a nessuno.

Ho avuto ragione con Dio e soprattutto con

famiglia lì, ok?

Anche con giustizia.

Ed è il seguente, giusto...

la vita deve andare avanti, sai?

Perchè non puoi…

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