
Di seguito il testo della canzone A Vítima , artista - Racionais MC's con traduzione
Testo originale con traduzione
Racionais MC's
Smurf: Então, Cocão, aí, não leva a mal não, mas aí vai fazer um tempo que eu
tô querendo fazer essa… essa pergunta pra você.
Aí…
Edi: Fala aí
Smurf: Tem como você falar daquele acidente lá?
Eu sei que é meio chato,
embaçado…
Edi: Não, é nada… Cê quer saber, a gente fala, né mano.
Vamos lá…
Foi dia, ó, eu lembro que nem hoje, ó, vixe!, até arrepia… dia 14 de outubro
de 94. Eu tava morando no Leblon, tá ligado?
Aí eu tinha um Opala, pá.
Aí o Opala tava na oficina do Di lá.
A gente ia fazer um barato à noite,
tá ligado?
A gente ia se trombar em Pinheiros, não sei se você se lembra disso
aí
Smurf: Pode crer
Edi: Porque você… você ia com o Kleber direto pra Pinheiros.
Você ia direto e
nós… tava eu, o Brown, o Blue, ia pra
Zona Sul…
Naquela noite eu acordei e não sabia onde estava
Pensei que era sonho, o pesadelo apenas começava
Aquela gente vestida de branco
Parecia com o céu, mas o céu é lugar de santo
Os caras me perguntando: «E aí, mano, cê tá legal?»
Cheiro de éter no ar nunca é bom sinal
Dor de cabeça, tontura
Aquela sala rodava estilo brisa de droga, loucura
Sangue na roupa rasgada
Fio de sutura me costura
Porra, gente não vale nada
Do que adianta você ter o que quer
Sucesso, dinheiro, mulher beijando o seu pé
E num piscar de olhos é foda
Você é furado igual peneira ou sem valor numa cadeira de roda
(- O que que eu tô fazendo aqui?
— Não quero admitir
— Agora é tarde, tarde, tarde
— Lamento…)
Meus parceiros me contaram
Cena após cena, passo a passo o que presenciaram
Mano, foi um arregaço na Marginal
Você capotou, teve até uma vítima fatal
Da Zona Sul e tal, sentido ao centro
Uma da manhã, lembrei daquele momento
Vários Opala, mó carreata
E eu logo atrás da primeira barca diplomata
Tô dirigindo ali no volante
Opala cinza escuro, Tupac no alto-falante
Por um instante tive um mal pressentimento
Mas não liguei, não dei conta, não tava atento
(Cadê o Coco? Mano, pega o celular, que embaçou, mano! Fé no Senhor!
O barato foi loco, mano!)
(Meu Deus do céu! Chama a ambulância, caralho! Cadê a ambulância?!)
Que merda, um cara novo morreu
Fatalidade é uma imprudência, divergência, fudeu
Ele deixou uma mulher que esperava um filho
Um evangélico que nem conheceu o filho
Um suspiro, perdi a calma
Vi uma faca atravessando a minha alma
Olhei no espelho e vi um homem chorar
A mídia, a justiça, querendo me fuzilar
Virei notícia, primeira página
Um paparazzi focalizou a minha lágrima
Um repórter da Globo me insultou
Me chamava de assassino, aquilo inflamou
Tumultuou, nunca vi tanto carniceiro
Me crucificaram, me julgaram no país inteiro
Pena de morte, se tiver sorte
Cadeira elétrica se fosse América do Norte
Opinião pública influenciada
Era o réu sem direito a mais nada
Meu mundo tinha desabado
Na lei de Deus, fui julgado;
na lei do homem, condenado
Edi: Então, Kleber, o cara morreu, mano!
Smurf: É, então, agora é daqui pra frente, Cocão.
Não tem mais jeito, tá ligado,
não se abala não.
Tem que ficar firme.
Nóis tá junto aí!
Dois anos e poucos de audiência
Pra mim já era o início da minha penitência
Aquele prédio no Fórum é mó tortura
Ali na frente sempre para várias viatura
O movimento é intenso o tempo inteiro
Parece o trânsito, tráfego, um formigueiro
Advogado pra cima, pra baixo
Ganhando dinheiro com mais um réu, eu acho
Registrei um cara algemado num canto
De cabeça baixa, me parecia um cara branco
Esperando a vez de ser solicitado
Julgado, talvez até se pá libertado
Escoltado, vários gambé
Esse aí não deve ser um preso qualquer
Com a mão pra trás olhando pra parede
Fui beber água, me deu mó sede
Uma ligação com urgência
Meu advogado, com o resultado da sentença
O celular tava falhando
(Alô? Não dá pra escutar, mas eu tô indo pra aí, falou?! Tô chegando)
É irmão, fui de metrô
Aquele frio na espinha que eu tinha, então voltou
A cada estação ele aumentava
Eu não sabia se descia ou se eu continuava
À procura de uma distração
Olhava o vagão lotado, a movimentação
Aquele povo indo pra algum lugar
Trabalhar, estudar, passear, roubar, sei lá
Vi uma mina bonita, discreta
Pinta de modelo, corpo de atleta
Eu vi um cara lendo concentrado
Naipe de estudante, daqueles filho dedicado
Vi uma tia crente em pé cansada
De cor escura com a pele enrugada
Ela me fez lembrar
Parece a mãe da vítima, como será que ela deve tá?
Cheguei no prédio da Ipiranga com a São João
Respirei fundo, subi a manga do meu camisão
Decisão, eu tô trêmulo
Mó responsa, não, não entendo
Muita calma sempre é preciso
«Proibido fumar», li o aviso
Um porteiro tiozinho lembra meu pai
(Que andar? Qual andar que você vai?)
Han, no décimo, me sinto péssimo
A balança fez questão de mais um acréscimo
Elevador quebrado
Tem dia que é melhor não acordar que dá tudo errado
Fui pela escada contando cada degrau
Cada passada chegava o juízo final
Tive a sensação de alguém me olhando
Parecia me seguir, tava ali me gorando
Senti um calafrio
Recordei daquela cena que você não viu
Do capote, de um grito forte, dos holofote
Um vacilo seu já era, resulta em morte
Daquela Kombi velha partida ao meio
Daquela hora que eu tentei pisar no freio
Andar por andar, onde eu tô não importa
Lembra da vítima?
Cheguei na porta
Edi: Então, Smurf, é isso aí, mano.
Deu pra você entender?
Smurf: É embaçado, hein Cocão?!
Que fita, hein?!
Edi: Então… É o seguinte, aí passou, acho que uns três anos, tá ligado?
Três, quatro anos de corre pra lá e pra cá, tentando se acertar com a justiça,
tá ligado?
Pagando o que eu devia, graças a Deus.
Aí ó, hoje eu tô firmão,
não devo mais nada pra ninguém.
Me acertei com Deus e principalmente com a
família lá, tá ligado?
Com a justiça também.
E é o seguinte, né…
a vida tem que continuar, tá ligado?
Porque não pode…
Puffo: Allora, Cocão, non prenderla sul serio, ma poi passerà un po' che io
Voglio fare questa... questa domanda per te.
Là…
Ed: Parla
Puffo: C'è un modo in cui potresti parlare di quell'incidente lì?
So che è un po' noioso,
sfocato…
Edi: No, non è niente... Vuoi sapere, parliamo, giusto fratello.
Avanti…
Era un giorno, oh, mi ricordo che nemmeno oggi, oh, dai!, trema anche... 14 ottobre
di 94. Vivevo a Leblon, sai?
Poi ho avuto un Opal, amico.
Poi Opala era al laboratorio di Di lì.
Stavamo per fare uno sballo di notte,
ci sei?
Stavamo per imbatterci in pini, non so se te lo ricordi
là
Puffo: Ci credi?
Edi: Perché tu... sei andato con Kleber direttamente a Pinheiros.
Andresti dritto e
noi... ero io, o Brown, o Blue, stavo andando
Zona Sud...
Quella notte mi sono svegliato e non sapevo dove fossi
Pensavo fosse un sogno, l'incubo era appena iniziato
Quelle persone vestite di bianco
Sembrava il paradiso, ma il paradiso è un luogo santo
I ragazzi mi chiedono: «Ehi, fratello, stai bene?»
L'odore di etere nell'aria non è mai un buon segno
Mal di testa, vertigini
Quella stanza ruotava come una brezza di droga, follia
Sangue sui vestiti strappati
Filo per sutura che cucino
Accidenti, le persone sono inutili
A che serve avere quello che vuoi
Successo, soldi, donna che ti bacia il piede
E in un batter d'occhio è un cazzo
Sei trafitto come un setaccio o inutile su una sedia a rotelle
(- Cosa sto facendo qui?
— Non voglio ammetterlo
— Ora è tardi, tardi, tardi
- Scusami…)
Me l'hanno detto i miei compagni
Scena dopo scena, passo dopo passo a cosa hanno assistito
Fratello, è stato un roll-up sul Marginal
Ti sei capovolto, hai anche avuto una fatalità
Dalla zona sud e simili, verso il centro
L'una del mattino, mi sono ricordato di quel momento
Varie Opal, ruota del mulino
E io proprio dietro la prima nave diplomatica
Sto guidando lì sul volante
Opale grigio scuro, Tupac sull'altoparlante
Per un momento ho avuto una brutta sensazione
Ma non ho chiamato, non me ne sono accorto, non ne ero a conoscenza
(Dov'è Coco? Fratello, prendi il cellulare, si è appannato, fratello! Fede nel Signore!
L'economico era pazzesco, fratello!)
(Oh mio Dio! Chiama l'ambulanza, maledizione! Dov'è l'ambulanza?!)
Che cazzo, è morto un nuovo ragazzo
La fatalità è incoscienza, divergenza, cazzo
Ha lasciato una donna che aspettava un bambino
Un evangelico che non conosceva nemmeno suo figlio
Un sospiro, ho perso la calma
Ho visto un coltello attraversarmi l'anima
Mi sono guardato allo specchio e ho visto un uomo piangere
I media, la giustizia, vogliono spararmi
Sono diventato notiziario, prima pagina
Un paparazzo concentrato sulla mia lacrima
Un reporter di Globo mi ha insultato
Mi ha chiamato un assassino, che ha acceso
È stata una rivolta, non ho mai visto così tanti macellai
Mi hanno crocifisso, mi hanno giudicato in tutto il paese
Pena di morte, se sei fortunato
Sedia elettrica se fosse il Nord America
Opinione pubblica influenzata
Era l'imputato senza diritto a più
il mio mondo era crollato
Nella legge di Dio sono stato giudicato;
nella legge dell'uomo, condannato
Edi: Allora, Kleber, il ragazzo è morto, fratello!
Puffo: Sì, quindi ora è d'ora in poi, Cocão.
Non c'è altro modo, è acceso,
non essere scosso.
Devo stare fermo.
Siamo insieme lì!
Due anni e qualche anno di pubblico
Per me era già l'inizio della mia penitenza
Quell'edificio nel Forum è una tortura
Là davanti sempre per diversi veicoli
Il movimento è sempre intenso
Sembra traffico, traffico, un formicaio
Avvocato su, giù
Fare soldi con un altro imputato, credo
Ho registrato un ragazzo ammanettato in un angolo
A testa bassa, sembrava un bianco
In attesa del turno da richiedere
Giudicato, forse anche liberato
Escort, diverse gambé
Questo non dovrebbe essere un prigioniero qualsiasi
Con la mano dietro di te a guardare il muro
Sono andato a bere acqua, mi ha fatto venire sete
Una chiamata urgente
Il mio avvocato, con l'esito della sentenza
Il cellulare non funzionava
(Ciao? Non riesco a sentirlo, ma ci vado, diciamo?! Sto arrivando)
È fratello, ho preso la metropolitana
Quel freddo alla spina dorsale che ho avuto, poi è tornato
Ogni stagione aumentava
Non sapevo se sarei caduto o se avrei continuato
Alla ricerca di una distrazione
Ho guardato il carro affollato, il movimento
Quelle persone che vanno da qualche parte
Lavora, studia, cammina, ruba, non lo so
Ho visto una miniera bella e discreta
vernice modello, corpo dell'atleta
Ho visto un ragazzo che legge concentrato
abito da studente, di quei figli devoti
Ho visto una zia credente in piedi stanca
Colore scuro con pelle rugosa
Me l'ha ricordato
Sembra la madre della vittima, come dovrebbe essere?
Sono arrivato all'edificio Ipiranga con São João
Ho preso un respiro profondo, mi sono arrotolato la manica della maglietta
Decisione, sto tremando
Macina reattiva, no, non capisco
Serve sempre molta calma
«Non fumare», lezione di avviso
Uno zio custode mi ricorda mio padre
(A quale piano? A quale piano vai?)
Han, il decimo, mi sento malissimo
La scala ha insistito su un'altra aggiunta
ascensore rotto
Ci sono giorni in cui è meglio non svegliarsi che tutto va storto
Salii le scale contando ogni gradino
Ogni passo ha raggiunto il giorno del giudizio
Ho avuto la sensazione di qualcuno che mi guardava
Sembrava seguirmi, era lì che si ammalava
Ho sentito un brivido
Mi sono ricordata di quella scena che non hai visto
Dal mantello, da un grido forte, dai riflettori
Un tuo errore è finito, porta alla morte
Da quel vecchio furgone diviso a metà
Da quel momento ho provato a premere i freni
Piano dopo piano, dove sono non importa
Ricordi la vittima?
Sono arrivato alla porta
Edi: Allora, Puffo, è tutto, fratello.
Hai capito?
Puffo: È sfocato, eh Cocão?!
Che nastro, eh?!
Edi: Quindi... È il seguente, poi è passato, penso a tre anni, sai?
Tre, quattro anni di correre avanti e indietro, cercando di accontentarsi della giustizia,
ci sei?
Pagando quello che dovevo, grazie a Dio.
Ecco, oggi sono fermo,
Non devo nient'altro a nessuno.
Ho avuto ragione con Dio e soprattutto con
famiglia lì, ok?
Anche con giustizia.
Ed è il seguente, giusto...
la vita deve andare avanti, sai?
Perchè non puoi…
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